Afinal, o que é Gestão do Conhecimento?

Descubra no artigo de Rivadávia Correa Drummond de Alvarenga Neto as diferenças entre Gestão do Conhecimento e Gestão da Informação

Sugere-se que a temática denominada “Gestão do Conhecimento” (GC) seja também entendida e apropriada como gestão de organizações da era do conhecimento. Trocando em miúdos, GC significa gestão na era do conhecimento e configura-se como um repensar da prática gerencial à luz da era da informação, era do conhecimento ou era da inovação perpétua. Uma vez que a informação e o conhecimento se tornaram os verdadeiros fatores de vantagem competitiva dos tempos atuais, únicos capazes de conferir sustentabilidade de longo prazo para as organizações públicas e privadas, é mister que se “pense fora do quadrado”.

Muito do que se convenciona chamar ou se atribui o nome de GC é, na verdade, gestão da informação. Contudo, acredita-se que a GC vá além da pura gestão da informação por incorporar aspectos e preocupações com as questões da criação e uso do conhecimento nas organizações. Destarte, a gestão da informação é apenas um dos elementos da GC e ponto de partida para quaisquer outras iniciativas de GC.

Sob a égide da área denominada “gestão do conhecimento organizacional”, várias abordagens gerenciais e ferramentas destinadas às questões da informação e do conhecimento nas organizações são tratadas, entre elas: gestão estratégica da informação, gestão do capital intelectual, aprendizagem organizacional, comunidades de prática, inteligência competitiva e social, dentre outros. Na verdade, as organizações adotantes da GC não gerenciam o conhecimento na acepção estrita e terminológica do termo – apenas capacitam-se para o conhecimento – visto que reconhecem que o conhecimento só existe na mente humana e no espaço imaginário entre as fronteiras de mentes criativas em sinergia de propósitos.

O conhecimento pode ser apenas promovido ou estimulado e, assim sendo, o que se gerencia são as condições favoráveis para a emergência do novo – inovação, criatividade, aprendizagem e compartilhamento de informações e conhecimentos relevantes, cultura organizacional e comportamento humano, autonomia, layout, locais de encontro, dentre outros- o que se atribui o nome de “contexto capacitante”. Em outras palavras, apenas se promove ou se estimula o conhecimento através da criação de contextos organizacionais favoráveis.

Como começar?

Organizações públicas e privadas podem se beneficiar de inúmeras práticas de GC, promovendo a entrega efetiva de valor ao cidadão e clientes, atingindo padrões elevados de desempenho e excelência.  Seguem alguns exemplos:

  • Através de sistemas “localizadores de expertise” ou “árvores de conhecimento”, pode-se facilmente localizar quem sabe o quê na organização. Dessa maneira, possibilita-se rápido acesso até a pessoa detentora daquele conhecimento e acelera-se o tempo de entrega de soluções para clientes e cidadãos. Experiências positivas foram ou estão sendo implementadas no SERPRO, DATAPREV e Siemens do Brasil;
  • Sistemas ou processos para avaliações de idéias e sugestões podem e devem ser formalizados para que todas as idéias e sugestões que visem melhorias incrementais e radicais sejam avaliadas com base em filtros como risco, valor agregado, foco estratégico e vantagem competitiva, dentre outros. Processos como esses geraram idéias que se tornaram produtos no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) em Piraciba, SP, como a limpeza química de evaporadores e novas tecnologias para uso de etanol como combustível;
  • Através da criação de locais (reais ou virtuais) para a troca e compartilhamento de informações e conhecimentos relevantes, estimula-se a aprendizagem organizacional e forma-se sucessores do conhecimento. Dessa maneira, evita-se que conhecimentos relevantes se concentrem na cabeça de uma única pessoa e suaviza-se a perda relevante de capital humano com as aposentadorias. Casos de sucesso de tais práticas são realidades no CTC, SIEMENS do Brasil e PricewaterhouseCoopers Brasil;
  • Por fim, um portal, intranet ou sistema de gestão eletrônica de documentos – cuja concepção tenha levado em conta a política de informação da organização e as necessidades de informação de usuários e potenciais usuários – permite um bom fluxo de informações e documentos, evitando a re-invenção da roda, a duplicação de esforços e o re-trabalho – como o mesmo relatório ser escrito várias vezes por pessoas diferentes, recuperar documentos sem referências da ultima versão e atualização, perda de informações e documentos relevantes armazenados em um disco rígido de um computador pessoal, etc. Portais corporativos são especialmente úteis no atendimento e gerenciamento do relacionamento com clientes e cidadãos, como demonstram as experiências da Secretaria da Receita Federal, Detran-MG e o Portal da Fundação Dom Cabral em MG.

Cultura organizacional é o fator preponderante quando o assunto é GC, afinal, para muitas organizações, conhecimento é poder. Projetos vitoriosos de GC concentram-se na mudança de uma cultura individualista para uma cultura “colaborativista.” É equivocada a compreensão de que “informação é poder”, visto que “compartilhar é poder”. GC é um processo longo de gestão de mudanças e caro em esforços e mobilização. GC custa caro, mas a ignorância também custa! Alguns dos exemplos citados podem ser imediatamente colocados em prática em uma sala de reuniões ou em adaptações de pacotes de software existentes em praticamente todos os computadores pessoais. Mãos à obra!

Referências Bibliográficas:

1. ALVARENGA NETO, Rivadávia C. Drummond de. Gestão do conhecimento em organizações: proposta de mapeamento conceitual integrativo. 2005. 400 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) –  PPGCI, Escola de Ciência da Informação da UFMG, Belo Horizonte.

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SOBRE O AUTOR:
Rivadávia Correa Drummond de Alvarenga Neto é Bacharel em Administração (UFMG), Especialista em Negócios Internacionais (PUC-MG), Mestre e Doutor em Ciência da Informação (UFMG). Pró Reitor de Pós Graduação, Pesquisa e Extensão do Centro Universitário UNA (Belo Horizonte, MG), professor dos cursos de graduação e pós-graduação em instituições como a UNA, Fundação Dom Cabral, IBMEC MG, FGV BI, UFMG, dentre outras. Diretor Presidente do Pólo MG da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, Sócio Grupo de Consultores em Gestão do Conhecimento – GC2 – consultoria especializada em gestão do conhecimento, inteligência empresarial e gestão educacional. Autor de inúmeros trabalhos, artigos, palestras e conferências nas áreas de gestão do conhecimento e inteligência empresarial.

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185 Responses to “Afinal, o que é Gestão do Conhecimento?”

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